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Diluído

A única coisa que consigo fazer debaixo d'água é a única coisa que faço debaixo d'água. O ser não está aqui e eu sou o não-ser. As coisas não existem e o que quer que eu faça não tem nenhuma consequência alguma, pois a água tudo dilui, e tudo é o que é.

O que existo?

Tanto busquei a tal realidade, apenas para constatar: ela não estava lá, ela nunca existiu. Também busquei a mim mesmo, mas eu não estou lá: eu não existo. Nem mesmo as coisas, elas também não existem e também não estão lá. E o eu que vê as coisas, também não está lá... Está o eu aqui?

Eu estou lá

Andar pelas ruas é melhor que desenhar, é melhor do que assistir a um filme de Wenders ou ler um livro seja de quem for; melhor do que ouvir um concerto de Brahms ou Schubert. Ser eu mesmo nas ruas da cidade abandonada é melhor do que qualquer coisa.

Brahms clássico

Hoje, depois de vários anos sem ouví-las, ouvi com gosto e atenção as Variações sobre um tema de Haydn. É o Brahms clássico, mais clássico que romântico; que eu, numa outra época, ouvia e curtia muito enquanto pintava aquelas naturezas-mortas hiperclássicas.

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