Pular para o conteúdo principal

Tinta a óleo: composição

Conhecer em detalhe a composição da tinta a óleo, a função de cada ingrediente, ajuda bastante a prever seu comportamento e, assim, ter um maior controle dos resultados, garantindo a qualidade e a durabilidade da pintura.

De que é feita a tinta?

Uma tinta é a combinação de uma substância aglutinante com uma substância corante. A primeira tem a função de amalgamar, dar coesão à segunda, e de proporcionar capacidade de aderência à superfície que está sendo pintada; a segunda, que tanto pode ser um corante quanto um pigmento, obviamente é responsável pela cor.

Tecnicamente, um corante é diferente de um pigmento. Este não se dissolve no veículo, aquele sim.

Na tinta a óleo não são usados corantes, mas pigmentos, e o aglutinante é algum óleo secante. Nem todo óleo seca, somente os óleos que possuem uma quantidade grande de ácidos graxos têm a capacidade de secar, ou seja, de formar uma película mais ou menos resistente, flexível e aderente, na qual ficam encerradas as partículas de pigmento.

Em uma tinta a óleo bem feita, o pigmento fica disperso uniformemente, cada partícula cercada por óleo, sem formar aglomerados, e permanece assim, dentro do tubo, por muitos anos. Por outro lado, em uma uma tinta mal formulada as partículas de pigmento tendem a se unir e formar partículas maiores, sólidas, e separar-se do óleo. Por isso é comum ver-se nas prateleiras das papelarias, tubos de tinta a óleo de qualidade inferior em que parte do óleo vazou do tubo.

Pigmentos

Os pigmentos usados são numerosos e cada um possui características próprias: cada um requer uma quantidade diferente de óleo para formar uma tinta com uma consistência mais ou menos pastosa ou cremosa; cada um reage de uma forma diferente com o aglutinate oleoso, alguns necessitando de algum tipo de aditivo (cera de abelhas, por exemplo) para melhorar sua consistência. Com o pigmento azul ultramar, por exemplo, é impossível conseguir uma consistência cremosa sem acrescentar cera, gesso cré, giz ou estearato de alumínio. Os cádmios, por outro lado, produzem naturalmente, sem necessidade de extenders (veja abaixo), pastas muito agradáveis de se manipular com o pincel.

Alguns pigmentos reagem melhor com óleo de cártamo ou de papoula, outros funcionam melhor com o de linhaça. Os fabricantes experientes e sérios conhecem muito bem o comportamento desses materiais e buscam combiná-los da melhor forma possível. Aqui há duas atitudes possíveis: alguns priorizam a uniformidade de consistência em todas as cores, mesmo em detrimento da intensidade cromática; outros preocupam-se mais com a força do pigmento, mesmo que a tinta perca um pouco em plasticidade.

Além dos pigmentos propriamente ditos, extenders e cargas estão entre os ingredientes comumentes usados nas fábricas de tinta. Extenders são pigmentos brancos ou incolores que, se usados corretamente, podem melhorar algumas tintas, estabilizando-as e deixando-as mais cremosas. Mas talvez sua principal função na indústria seja reduzir os custos — em detrimento da qualidade. O termo "carga" parece ser usado às vezes com esse mesmo sentido, mas também se refere à base necessária à formulação de alguns pigmentos orgânicos que, sem essa base inerte, não poderiam ser usados como pigmentos (ftalocianinas e lacas, por exemplo).

Óleos

Dentre os óleos viáveis para tintas artísticas, destacam-se aqueles já mencionados: de linhaça, de cártamo (safflower) e de papoula (poppy). Menos usados hoje em dia são o de girassol e o de nozes. O óleo de linhaça é o mais conhecido e o mais utilizado durante os últimos 500 anos. Cada um possui qualidades peculiares que determinarão as características da tinta.

O óleo de linhaça seca muito bem, seca com relativa rapidez e produz películas bastante flexíveis e resistentes, dependendo, é claro, da qualidade do produto e, também, como foi dito acima, do pigmento usado. Os melhores óleos de linhaça são aqueles extraídos a frio, mas são caros, por isso a grande maioria dos fabricantes de tinta usa óleos extraídos com o aquecimento das sementes e posteriormente refinados. Mesmo neste caso, se os processos de extração e refino forem corretos, pode-se obter um óleo de qualidade aceitável.

A grande desvantagem do óleo de linhaça é que escurece muito com o tempo, ao contrário dos óleos de papoula e de cártamo, que se mantêm claros por séculos. Estes, porém, secam mal e tendem a formar películas frágeis e quebradiças.

Diluição

Para facilitar a aplicação com pincel de uma tinta pastosa ou para se obter uma camada menos oleosa, menos brilhante, com menos lustro, com acabamento mais fosco, pode-se diluir a tinta com diversos diluentes. Os mais usados são o agarrás mineral (destilado de petróleo) e a terebintina (destilado vegetal). Ao se estender a tinta a óleo com um diluente, se reduz a proporção de óleo em relação ao pigmento, resultando uma película com menos óleo e conseqüentemente menos lustrosa, mais fosca. Se duluída em excesso, a camada não terá poder de aderência nem de coesão e provavelmente vai craquelar (rachar-se) e desprender-se. Pode-se também acrescentar óleo à tinta para torná-la mais fluida e transparente, porém óleo em excesso produz um brilho desagradável, e o inevitável escurecimento ou amarelamento natural do óleo será mais visível, pois não haverá pigmento suficiente para mascarar esses defeitos do óleo.

Secagem

Na tinta a óleo, o aglutinante, o óleo, assim que entra em contato com o ar começa a absorver oxigênio e liberar alguns gases. Nesse processo de oxidação as moléculas do óleo vão se polimerizando, formando cadeias enormes e, por fim, uma película sólida. Em uma camada de tinta aplicada a uma tela, a película vai se formando de fora para dentro. Uma camada grossa encerra, por debaixo de uma película seca, uma certa quantidade de óleo ainda não seco, em fase de polimerização. Algumas substâncias podem funcionar como catalisadores no processo de secagem, acelerando-o. São os famosos secantes, o mais usado sendo o de cobalto.

Alguns solventes de evaporação rápida também irão acelerar a secagem, enquanto outros, por evaporarem mais lentamente, poderão retardá-la. A quantidade de ar também interfere: como a tinta o óleo seca por oxidação, obviamente quanto mais ar entrar em contato com a camada de tinta, mais rápida será a secagem. O calor também acelera a secagem do óleo, enquanto o frio e a umidade do ar a retardam.

Comentar

You must have Javascript enabled to use this form.