Pular para o conteúdo principal

Tate: Recortes de Matisse

Foto de Luke MacGregor, da Reuters
Foto de Luke MacGregor, da Reuters

A Tate Modern* divulgou que a exposição de colagens de Matisse, que começou em abril e terminou há pouco, no dia 7 de setembro de 2014, recebeu mais de 560 mil visitantes, sendo, portanto, a mais popular da história do museu.

As colagens são fruto dos últimos quinze anos de Matisse, quando, do fim da década de 1930 até sua morte em 1954, já não podia pintar por causa de problemas de saúde. Esse tipo de colagem, que o próprio artista chama de découpage e de "desenhar com a tesoura", foi uma técnica inovadora naquele contexto. Com a ajuda de assistentes, ele pintava papéis com guache e depois recortava, colando os pedaços em telas ou outros suportes.

foto afp_imce400.jpg
Uma funcionária do museu sentada em frente ao quadro "O periquito e a sereia" - foto: AFP
Nu Azul II, 1952, guache sobre papel cortado e colado em papel, 112 x 73 cm.
Nu Azul II, 1952, guache sobre papel cortado e colado em papel, 112 x 73 cm.

Embora em si mesmos não sejam grandes obras de arte, esses quadros são manifestações originais e exuberantes de um artista importante que, no fim da vida, queria apenas improvisar com as formas e as cores. São como o jazz: pura celebração da vida, da alegria de viver. Matisse sempre foi mais ou menos isso, e as colagens são a culminância dessa atitude — embora algumas pareçam ser francamente decorativas e inexpressivas...

Aliás, Jazz é o título do livro de gravuras baseadas nas colagens de Matisse, publicado em 1947, a que o museu dedica um sala inteira. Esse livro marcaria o início do abandono da pintura em favor da nova técnica. Depois de algumas cirurgias para remoção de um câncer, Matisse ficou debilitado e já não conseguia ficar em pé. Restrito à cama e à cadeira de rodas, encontrou no découpage, que havia experimentado pela primeira vez em 1937, uma forma de continuar fazendo arte.

Matisse na cadeira de rodas
Matisse na cadeira de rodas, recortando, com sua secretária e enfermeira, Lydia Delectorskaya, por volta de 1952

Foi a primeira vez em que foram expostas juntas obras dessa fase em tão grande quantidade: cerca de 130 quadros, entre eles quatro dos icônicos Nus Azuis, que a Tate orgulha-se de ter conseguido reunir. Há algumas obras realmente monumentais, como a Grande Composição com Máscaras, emprestada da Galeria Nacional de Washington, que mede 10 metros de largura por 3,5 de altura, e uma das últimas de Matisse, O Caracol, uma tela enorme, quadrada, com 2,8 metros de altura, pertencente à própria Tate Modern.

 
O Caracol, 1953, guache sobre papel cortado e montado sobre tela, 2,8 x 2,8 m. Acervo da Tate Gallery
O Caracol, 1953, guache sobre papel cortado e montado sobre tela, 2,8 x 2,8 m. Acervo da Tate Gallery

Abaixo, o vídeo de divulgação em que o atual diretor do museu, Nicholas Serota, que colaborou com Flavia Frigeri na curadoria, exalta a originalidade dessa fase de Matisse e a importância da presente coletânea. A maior parte dos quadros é emprestada de colecionadores particulares e de outras instituições. É sempre um processo demorado, complexo e caro reunir objetos assim de diversas fontes.

A exposição vai em seguida para o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, onde estará aberta a visitação de 12 de outubro de 2014 a 8 de fevereiro de 2015.

* Tate Modern é um museu de arte moderna que fica em Londres. É parte do que hoje chamam simplesmente de Tate, um complexo de museus públicos britânicos que inclui também a Tate Britain (que no século passado era chamada Tate Gallery - motivo pelo qual usamos o artigo feminino), a Tate Liverpool, a Tate St. Ives e a Tate Online

Comentar

You must have Javascript enabled to use this form.